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MEIO AMBIENTE

Setembro / 2008

A Revista Eclésia do mês passado (Ed. 124) trouxe como matéria de capa o problema do Aquecimento Global. Sendo uma revista evangélica, o ponto de vista adotado é o tradicionalmente aceito por esse segmento religioso. Trouxemos nesta coluna um extrato da matéria, um Box com uma "interpretação alternativa" do conhecido milagre da multiplicação dos pães, narrado no evangelho de João. Ainda que dentro de uma ótica tradicional, que entende o relato de modo literal, o texto é por demais interessante para trazermos aqui à apreciação do leitor da Sacred Sound.

A Ecologia na Bíblia

Ainda que o termo ecologia não seja encontrado nas páginas das Escrituras - ele foi usado pela primeira vez numa nota de rodapé do livro Morfologia Geral dos Organismos, de Ernest Haeckel, de 1868 -, o conceito da preservação é muito presente nos ensinos bíblicos. Do grego oikos, "casa", e logos, "estudo", a expressão traz como idéia a proposta de zelar ou manter em ordem o lugar onde se vive. O mesmo mandado que Deus dá ao homem em Gênesis 2:15, quando o Senhor determina a Adão que guarde e cuide do Jardim do Éden. A orientação é clara: Deus criou o primeiro ecossistema e estabeleceu ao homem a obrigação de zelar por ele.

O controle de Deus sobre a natureza é mencionado em diversas passagens das Escrituras Sagradas. Ele é que, por exemplo, separa o dia da noite (Salmo 71:16); estabelece as estações do ano (Salmo 74:17); regula a meteorologia (Jó 28:25,26; Atos 14:17). O Senhor tem o mesmo cuidado em relação aos animais, quando prescreve leis naturais da sobrevivência (Salmo 104:20-30; Mateus 6:26, por exemplo).

Muito antes de o ser humano cunhar a expressão aquecimento global, o Criador já orientava o homem acerca do cuidado com a terra e as colheitas. Não à toa, a Lei Mosaica determinava que o solo deveria ser poupado por um ano, depois de seis anos de produção (Êxodo 23:10,11; Levítico 25:1-7). Aliás, alguns teólogos devem mesmo acreditar que Jesus foi o primeiro ecologista de que se tem notícia. Afinal, quando realizou o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, narrado no evangelho de João, capítulo 6, o Mestre deu quatro lições: primeiro, de que para combater a fome, é necessário organizar a distribuição dos alimentos. Segundo, a necessidade de ser grato a Deus pelo provimento. Em terceiro lugar, o Salvador mostrou que a economia é fundamental, ao mandar recolher tudo que sobrou para uso posterior - "Para que nada se perca", conforme as palavras do próprio Cristo. Finalmente, o Filho de Deus também combateu a poluição após realizar o milagre. Afinal, imagine-se sujeira que cinco mil homens - fora mulheres e crianças - fariam se tivessem jogado fora pedaços de pão e restos de peixes...


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