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ROCK DAS LUZES

O Maior Festival de Rock de Todos os Tempos é Brasileiro

Mesmo Nostradamus não poderia prever que na tropicalíssima Cidade Maravilhosa "dos 40 graus" teria lugar o mais abrasador festival de música registrado pelos Anais do Gênero Humano: o Primeiro Rock in Rio

Infelizmente, por escassez de poderes mágicos, não podemos escolher o local (ou país) de nossos próprios bota-foras (nascimentos). Felizmente, porém, eu morava no Rio em janeiro de 1985, quando a superturística cidade nunca se mostrou tão assanhada. Estava sendo realizado aquele que seria eleito (por mim e muitos outros) o "Maior Festival de Rock de Todos os Tempos".

Impressionante foi o vai-e-vem ininterrupto gerado pelo evento. Lembro-me que das praias da Zona Sul (Copacabana, Ipanema e Leblon) podíamos contemplar helicópteros de procedências várias se dirigindo constantemente para a Barra da Tijuca (Zona Oeste). Ali foi montada: a "Cidade do Rock" pelo oportunista empresário Sr. Roberto Medina. Na primeira metade da década de oitenta, Hard Rock e Heavy Metal (dois subgêneros de Rock) mostraram ao Mundo a sua força máxima, com intérpretes de elevadíssimo padrão, verdadeiros campeões de vendagens de discos e produtos mercadológicos. O Sr. Medina, bem-atento e informado sobre a nova tendência musical, erigiu uma cidade murada de aproximadamente 250 mil metros quadrados de área para abrigar o seu arrojado projeto. Tudo arranjado, grandes bandas e/ou cantores (as) internacionais chegaram em penca, trazendo com eles numerosa corte de técnicos, seguranças pessoais, cozinheiros pessoais, empregados de libré pessoais, "personal" puxa-sacos, especialistas disso e daquilo; um autêntico "trem da alegria primeiro-mundista" em trilhos verde-amarelos. Desfilaram pela Cidade Maravilhosa: The B-52's, Go Go's, Al Jarreau, AC/DC, Whitesnake, George Benson, Rod Stewart, Yes, Scorpions, Ozzy Osbourne, Nina Hagen, Iron Maiden, Queen e James Taylor.

O Rio de Janeiro, sempre recheado de visitantes nacionais e estrangeiros, esteve a ponto de chafurdar-se com o peso de tanta gente. Foi uma experiência única para pós-"aborrescentes" roqueiros como eu, na época, contava com 20 anos. O que mais me agradou durante todo o momento fantástico do Rock in Rio I - da sexta-feira (11 de janeiro) até o domingo (20 de janeiro) - foi perambular pelas ruas da Zona Sul e pelas dependências da Cidade do Rock observando os tipos diversos da espécie humana, ali, ajuntados de todas as partes do Brasil e do Mundo para curtir Rock de primeira qualidade. Naqueles dias, o Rio tornou-se a capital universal do Rock Pesado. Travei conhecimento com belgas, canadenses, paraenses, amazonenses, paulistas e paulistanos (a rodo), holandeses, norte-americanos... Facilmente identifiquei os gringos, pareciam-se "in totum" com as platéias de jovens "metaleiros" presentes em fotos de revistas importadas especializadas de música. E as jaquetas de couro e camisetas estampadas que traziam, então?! Ah, verdadeiras obras-primas; a nós (tupiniquins) só restava babar e babar!

O Festival em si foi magnífico por causa da atuação dos grupos, especialmente, daqueles incluídos na classificação de Rock Pesado: AC/DC, Whitesnake, Iron Maiden, Scorpions e Ozzy Osbourne. O Queen, lamentavelmente, atravessava uma fase pouco saudável com aquela coisa de "Radio GaGa". A organização do Rock in Rio deve ter sido esplêndida para todos os artistas, que foram unânimes em tecer calorosos elogios à forma de tratamento dispensado. Para variar, para o público (estima-se que mais de um milhão e meio de pessoas estiveram, diretamente, envolvidas no vasto espetáculo), o quadro não foi tão finamente pintado. Faltou ônibus. A segurança contratada e a polícia militar entraram em choque pelo controle de autoridade. Dá para imaginar?! E coitados dos espectadores no meio daquela desvairada "luta pelo poder"! Quanto aos banheiros, melhor não comentar; tampouco falaria sobre as lanchonetes disponíveis e, muito menos ainda, a respeito do preço das comidas (digo, refeições) e das bebidas.

Voltando aos shows proporcionados pelas bandas: foram inesquecíveis, simplesmente fenomenais, com um singular - e extraordinário - detalhe: todos os grupos tocaram o dobro (em noites diferentes), com exceção do Iron Maiden. Até hoje, não tenho notícia de outro festival que apresentasse artistas como aqueles (de primeira ordem) em duas ocasiões consecutivas. Foi um sucesso total de público e renda para os seus organizadores e anunciantes. Atualmente a marca Rock in Rio atua no exterior, em Portugal e Espanha. Nesse ano, de 2008, já estão confirmados as datas e os locais para a realização do Sexto Rock in Rio.

O Primeiro (Rock in Rio) fez do Brasil uma rota obrigatória para artistas musicais (de todo o Mundo e de todos os gêneros) devido o seu sucesso inquestionável. Foi necessário o Rock para mostrar ao Primeiro Mundo que na "Terra do Tarzan, da Jane e das safadezas a mil" existe também uma ávida, e extremamente lucrativa, audiência consumista. Convém lembrar que o Rock, na História da Música Fonográfica, é o gênero que mais proporciona "dindim" às megagravadoras. Vende, vende e... Vende, em qualquer recanto do Planeta! O termo Rock, ao lado de outros, como: Coca-Cola, McDonald's, Gillette, Ferrari e alguns nomes de pessoas deificadas que prefiro não dizer (obviamente, respeitando-os, não levando em consideração aqueles seres humanos que os profanam), é absolutamente venal.

"M. Fior La Dupuis d'Villeganon é criptônimo de Adriano Alves Fiore. Oclófobo em desenvolvimento e pirrônico em "estado terminal"; filósofo peripatético semovente autodidata; hard rocker inveterado e headbanger do mesmo tanto. Humanista (Até certo ponto!); e ser humano (Não tive a chance de escolha!). Bacharel em Direito (UFF/UEL); graduando não-concludente em História (UFF/UEL); aluno especial em Estudos da Linguagem - Letras - e Ciências Sociais (UEL); e graduando em Comunicação Social & Jornalismo (Metropolitana/IESB de Londrina-PR).


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